Por Isak Bejzman,
Edição Nº 1 / Out / 1996 do Jornal Viva, do
Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul (NEJRS) (pág. 2)
Fazer jornalismo científico já é difícil; dedicar-se à prática do ecojornalismo é bem mais complexo. Neste último tipo o jornalista media com seu texto uma relação entre o cientista e o público leigo, entrando, além disso, no assunto, também os políticos, os empresários e os interesses que navegam por esses campos.
Um ecojornalista precisa estudar os temas, problemas e as soluções para o meio ambiente. Sua função não é ser ideólogo e sim um informante-educador. Para tanto, precisa ser um intruso na área e um cético quanto às informações obtidas.
Sem desconsiderar as problemáticas ambientais de lugares distantes, é fundamental uma preocupação com as questões locais. Até hoje, os riscos das dioxinas geradas pelo embranquecimento da celulose na empresa Riocell, às margens do Guaíba, e as conseqüências daí decorrentes continuam sendo ignoradas pelo grande público.
O alicerce do conhecimento, para que um jornalista possa fazer boas matérias sobre meio ambiente, é uma biblioteca rica em obras clássicas e publicações que tragam estudos e dados atualizados. Portanto, o estudo e o material onde estudar são essenciais para se fazer um jornalismo que dê frutos sobre o meio ambiente. É exatamente isto que o Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul espera poder realizar em benefício da comunidade. Entretanto, nada será possível se os órgãos de imprensa de Porto Alegre e do Estado não possibilitarem as condições para que este fato bom aconteça.
No más, até amanhã. Shalom.
